Não sinto vontade de abrir a porta,
não sinto vontade de conversar na sala,
não sinto vontade de chorar no quarto,
não sinto a chuva molhando o chão
nem meus pés secando o ar.
Não sinto vontade de fazer,
de gritar,
de espernear,
de sacudir o mundo,
quebrar alguma coisa,
matar alguém,
de machucar alguém,
me machucar,
me queimar,
não sinto vontade de mim
nem sinto vontade de você.
Quero partir,
quero ir embora,
quero deixar,
quero largar,
quero perder
a calma,
a alma,
a calma da alma,
a paz,
o rumo,
o sentido,
a sanidade e a capacidade.
Quero seguir meu caminho secreto,
ainda não revelado,
coberto,
sujo,
tortuoso e duvidoso.
Quero correr pra perder o fôlego,
pra arder o peito,
pra arder os olhos,
pra escorrer o suor,
pra queimar os músculos e sentir a dor.
Queria te acompanhar,
me afogar,
te matar,
te salvar,
te beijar antes de trepar,
só pra desejar.
Queria querer.
[nunca soube poemar]
Nenhum comentário:
Postar um comentário