Kenny era um cara legal. Tinha uma esposa legal, um carro bom. Bom demais para a classe média. Não tinha filhos para se preocupar, tinha um ótimo trabalho. Total segurança e estabilidade. Uma rotina de vida meio monótona, mas o sexo com a sua esposa Olívia não estava nem perto de atingir a decadência do casamento institucional. Ele tinha tudo, inclusive a tranqüilidade de uma mente passiva. Eis seu pecado.
Kenny mantinha erguida a carapaça da satisfação total de um homem bem sucedido de classe médio-alta. Mas no profundo das suas entranhas ele digeria devagar as suas próprias motivações existenciais. Kenny só conseguia dar uma cagada a cada cinco dias, ele passava a semana inteira constipado sorrindo para os vizinhos e se passando por um marido carinhoso e compreensivo. Ele estava prestes a explodir.
Um dia Kenny chegou mais cedo do trabalho em seu Ford Corcel, estacionou o carro na entrada da garagem, desceu, e se dirigiu para a porta dos fundos. A porta de tela estava um pouco emperrada, ele deu um puxão e ela se abriu. Ele entrou na cozinha sentou-se na bancada, tirou sapatos e as meias e subiu as escadas descalço. A porta do quarto estava semi-aberta. Ele empurrou a porta e avistou sua esposa deitada na cama lendo uma daquelas revistas de dona de casa. Ela usava uma camisola fina, e um dos seus peitos aparecia, dava inclusive para ver que ela parecia não estar usando calcinha. Kenny se sentiu incrivelmente orgulhoso e excitado. Olívia então percebeu ele na porta.
– Oi, querido. Você chegou cedo hoje. – ela então percebeu as calças de Kenny e deu uma risadinha. – Tem alguma coisa no seu bolso, querido?
Ele andou até a cama e sentou na beirada colocando a mão sobre a perna dela. Ele tirou a gravata e a jogou no chão, tirou os óculos e os colocou no chão. Ela fechou a revista e a jogou na cadeira do outro lado do quarto.
– Querido, você está bem? Está um pouco estranho.
– Querida, – ele disse – vamos trepar.
Ela riu sacudindo a cama e expondo mais aqueles peitos maravilhosos demais para uma dona de casa.
– Querido, você realmente não está bem. O que aconteceu? Você quer conversar? Vamos, você pode falar comigo.
Kenny desabotoou o primeiro botão da camisa e arrancou o segundo e o terceiro com força, então ele tirou a camisa por cima e se lançou em cima de Olívia, se colocando entre as pernas dela e segurando seus braços contra a cabeceira da cama. Ela não teve muito tempo para reagir fisicamente.
– Kenny, que caralho você está fazendo?
– Eu disse que queria trepar, querida.
– Kenny, que porra. Me solte.
Ela começou a se contorcer, mas não adiantou muito. Ele tentou beijá-la mas ela virou o rosto, ele então começou a lamber os peitos dela e a se esfregar entre as pernas dela, mexendo os quadris. De fato ela estava sem calcinha. Ela fez caretas e se contorceu o máximo que pode tentando se libertar até que então soltou um pequeno gemido suspirado e carregado do que parecia dor. Kenny então parou de se mexer e se ergueu, ainda em cima dela. Ele olhou para a ela e ela continuava a se contorcer e fazer caretas, ele soltou uma das mãos dela, que estava um pouco vermelha, e ela o acertou no rosto começou a puxar o cabelo dele. Ele desceu sua própria mão livre e a colocou entre ele e ela. Mexeu um pouco os dedos, ela afrouxou o puxão. Ele retirou a mão a aproximou do rosto e esfregou os dedos. Ela suspirou tentou tirar ele de cima e então dolorosamente falou:
– Kenny, pare com isso. – a respiração dela estava ofegante e ela não abria os olhos direito.
– Você está gostando. – ele disse, abrindo um sorriso cheio de malícia – Você está gostando! – ele deu uma risada e voltou a fazer os movimentos colocando a boca no pescoço dela.
Ela tentou puxar o cabelo dele, arranhar suas costas, bater em suas costas, puxar sua orelha, mas ela não tinha força o suficiente e não pode conter o segundo gemido mais alto e mais suspirado.
– Kenny, pare.
– Você está gostando.
– É, mas você está me machucando.
Ele a ignorou e continuou, usando sua mão livre para apertar os peitos dela e subir mais a camisola. Ela agora só arranhava as costas dele, então ela mordeu a orelha dele. Ele se assustou e parou por um segundo, mas a mordida não era ameaçadora e ela não fazia menção de que iria arrancar um pedaço fora. Ele continuou se movendo.
– Tudo bem, Kenny. Tire logo a calça.
Ele se ergueu e deu um tapa com força na cara dela.
– Não me dia o que fazer, sua vagabunda!
Ela soltou um pequeno grito e seus cabelos bagunçados tamparam seu rosto. Kenny rolou na cama segurando ela e a manteve em cima dele. Ela não tentou se livrar, apenas escorregou as mãos para baixo e começou a desabotoar o cinto dele.
– Isso mesmo – ele disse –, seja boazinha.
Os dois foram muito violentos durante todo o ato. Kenny gozou e a jogou de cima dele para fora da cama. Ela caiu no chão e então começou a chorar. Enquanto ela soluçava ele se levantou e se dirigiu ao banheiro, se limpou com a toalha e começou a apreciar as marcas de mordidas e arranhados que marcavam seu peitoral, pescoço e costas. Enquanto isso ela soluçava no quarto, ainda no chão.
Kenny saiu do banheiro e começou a se vestir. Ela levantou a cabeça e perguntou:
– Aonde você vai?
– Embora.
– O que? Você chega aqui, me estupra e diz que vai embora.
– É.
– Você ficou louco Kenny? Que porra há de errado com você?
– Cale a boca.
– Vá se foder, seu louco! – ela se levantou e se atirou em cima dele da maneira mais frenética e escandalosa que uma mulher consegue.
Ela teve tempo apenas para golpeá-lo um pouco. Ele agarrou a cabeça pela nuca e a bateu na parede duas vezes. A puxou para trás e olhou o rosto dela com a testa ensangüentada. Ela parecia desmaiar. Ele repetiu umas vezes o movimento e a soltou. Ela caiu pesadamente.
Ele terminou de se vestir, tirou as chaves do seu Ford do bolso e as jogou pela janela. Desceu as escadas rumo a cozinha, pegou seus sapatos e saiu pela porta da frente.
Em teoria os distúrbios são apenas distúrbios, mas na prática, eu gosto de compará-los a demônios. Como disse antes, eles vagam por aí e ocasionalmente quando se encontram com alguém fraco o suficiente tomam conta dele e extraem a capacidade de prática de moralismos falsos e de raciocínio de bom senso. A situação se parece com uma possessão ou encarnação. Pode até ser que seja a revelação do verdadeiro cunho e essência de alguém reprimido pela mediocridade da existência indesejada e inevitável.