terça-feira, 22 de julho de 2008

O caminho carnal que eu segui naquela noite foi o maior erro dentre os vários colecionados na minha lista gorda, ainda assim, o prazer de consumar aquele ato glorioso da maneira mais suja possível, foi simplesmente incomparável. Aquela sensação horrenda se vestiu de tentação, e eu cai ,propositalmente, de cabeça. Foi delicioso.

É um sentimento comum, todo mundo conhece, só não conhece explicitamente. Ele é melhor cru. É aquela sensação intensa seguida do mais incrível alívio. Ela faz parte do cotidiano, só que ganha esse charme quando é anunciada. Anuncie-a para si mesmo e sinta-a correr o chão em volta de você. Medíocre.

sábado, 19 de julho de 2008

Sua beleza desconcertante tornava o ar do recinto cada vez mais pesado, sua carapaça impenetrável era pontiaguda e arranhava a calma dos ali presentes, sem dar declarações ela se levantou e, sem esforço algum, abriu caminho pela multidão raivosa. Ninguém a tocou, ninguém se quer mexeu. Ela era intocável, invulnerável. Tomou as chaves da minha mão e arrancou deixando pra trás somente o cheiro de borracha queimada dos pneus. Ela se fora.

A mudança veio me soterrar como um caminhão descarregando a carga de toneladas de rochas.

“Na manhã seguinte um corpo pálido e gelado permanecia estirado na beira da estrada, bem no limite do campo de visão da porta do meu quarto. Eu sabia quem era, o que era, e principalmente o que acontecera. Havia premeditado tudo aquilo.”

Primordialmente o desespero tomou conta da cena, meus músculos enrijeceram, suor ameaçou escorrer pela minha testa e tomou conta das minhas mãos, um tremor patético fez com que eu derrubasse minha xícara de café. Escorei na porta sentindo o ar fugir dos meus pulmões. Retomei bruscamente o fôlego e o desespero sumiu. Entrei no quarto para me trocar.

Além do silêncio que normalmente me acompanhava um outro silêncio se manifestou dentro da minha cabeça. Quietude maravilhosa. Meus pensamentos nunca foram tão serenos quanto naquele momento. Tirei meu paletó preto de dentro da mala nunca desfeita e comecei a me despir. O telefone tocou sete vezes antes que eu o atendesse para ver que não havia ninguém do outro lado na linha.

Ajeitado dentro do paletó antigo comecei a dar o nó na gravata. Um nó clássico duplo. Peguei meu chapéu Derby posicionado em cima do criado-mudo. Fechei a mala. Atirei o cinzeiro de mármore no espelho do banheiro e a cadeira pela janela. Peguei as chaves do carro e sai depressa olhando para os meus sapatos.

Dei a partida no meu velho Dodge e arranquei. Estava indo para um lugar onde os dias não fossem tão cinzentos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

“Muito longe de onde eu pertencia ficava aquele maldito buraco imundo habitado por aqueles nojentos cidadãos que eu infelizmente chamava de vizinhos.”

Muitas vezes eu me perdia em pensamentos como esse, questionando o motivo que me prendia a toda aquela realidade que eu detestava, na maioria delas nem sequer encontrava resposta, o que também me mantinha preso, esperando até que a razão se revelasse na minha frente. Ela demorava mas nunca faltava.

O que mais me irritava era aquele clima seco infernal que fazia meus olhos arderem e as noites frias que inquietavam os meus sentidos. Era desgastante ficar olhando todo aquele cenário repetitivo, sujo e embaçado. Mas eu era obrigado a permanecer sob aquelas circunstâncias porque era ali que a minha fonte de sanidade ficava. Ela perambulava sem destino e as vezes me surpreendia com visitas inesperadas.

Parece muito pouco, e de fato era, chegava a ser medíocre, mas não havia nenhum motivo melhor que me forçasse a abandonar aquele estado de miséria.

Mais tarde algo aconteceu, quebrando meu ciclo de vícios.