Nos meus delírios cotidianos, que não passam de perversidades fúteis e insensatas, eu alimento meus fascínios que degeneram minha consciência de um velho safado. Propositalmente me afundo em fantasias medíocres por horas, e saio delas atrofiado mas feliz, como um drogado que acaba de suprir seu vício. Elas me fazem mal, contudo, não suporto sem elas.
Ocasionalmente, quando lúcido, me retiro às leviandades. Me engano dizendo que assim saio do costume diário. Mas não me falta prudência. Quando junto à matilha também visto pele de cordeiro. Não me importo em poupa-los dos meus devaneios tóxicos. Prudente ou não, meu cheiro já recende no ar, por que eu sei que por aqui dispensam-se censuras.