domingo, 17 de agosto de 2008

Andando naquele beco escuro e seco tudo o que eu ouvia eram meus próprios passos e o estalar dos saltos das prostitutas que andavam de um lado para o outro esperando o próximo que iria convidá-las para um rápido negócio. Fazia muito frio. Parei em uma sombra e escorei-me em uma porta de metal gelada; observava a mulher do outro lado da rua.

As luzes das ruas eram como ilhas, iluminando algumas partes e deixando outras perigosamente escuras. A prostituta era familiar, o que era muito irritante. Eu havia me vestido bem para aquela situação, meu melhor paletó e um novo par de meias pretas, sapatos limpos e um chapéu muito confortável. Saí da sombra e caminhei sem fazer barulho até me aproximar suficiente para que ela pudesse me ver.

O som de carros distantes e de um alarme que havia disparado há pouco tempo completavam o cenário. Dei mais um passo e a reconheci. Tirei o chapéu pára que ela pudesse ver meu sorriso e as rugas nos cantos dos meus olhos. Ela agradeceu com um sorriso. Dei mais um passo e coloquei o chapéu nela. Ela agradeceu tirando o cabelo do rosto, arrumando-o dentro do chapéu, e fingindo tentar ajeitar o vestido rasgado.Não havia tensão de nenhum tipo. Apesar da situação, nada aconteceria. Seria imoral. Até que um novo par de saltos se aproximou pela minha esquerda.

Senti-me bem vendo que aquele par vinha em minha direção. Uma tensão foi criada. Ela passou a mão na minha nuca e enterrou o punho no meu estômago. O choque foi extremamente prazeroso. A pior joelhada que já levei me colocou no chão. Ela montou e continuou no mesmo ritmo inconstante. Foi delicioso.