segunda-feira, 2 de março de 2009

Mark quebrou o copo na minha cabeça e antes que eu a batesse no balcão do bar ele agarrou os cabelos da minha nuca e o fez por mim. As duas primeiras vezes foram de fato doloridas, as outras foram apenas um som abafado e as luzes mexendo muito rápido. Ele abriu a mão e eu escorri do balcão para o chão derrubando um ou dois bancos. Ele respirava muito pesado, mais que alguém simplesmente ofegante, o barulho da respiração dele se opunha até ao som agudo e constante que apitava no meu ouvido direito. Eu me virei para olhar ele de frente.
Intrigam-me muito as reações adversas e incontroladas, movidas instintivamente, sem considerações prévias. É um real espetáculo observar alguém ser arrastado até a beirada do precipício e , pendurado pela sua genitália, é forçado a reagir, é de uma grande genialidade qualquer ato sanguíneo. A Ira é uma brilhante diretora cinematográfica, quando acompanhando a traição revelada, é a linda conseqüência da luxúria consumada.
Mark enxugou o suor da testa, tirou os óculos para enxugar os olhos, limpou o queixo babado com a manga da sua camisa social agora amassada, respirou sem ritmo tentando falar alguma coisa, mas tudo que ele conseguiu fazer foi ficar sem fôlego. Mark levantou a mão olhando para a aliança no dedo dele, descontroladamente ele forçou o anel para fora do dedo, ele ficou vermelho, seu dedo roxo, eu então pensei – Será que ele faz essa mesma cara quando ele faz força para cagar, ou então quando ele está pulando em cima daquela esposa dele e prestes a ter um orgasmo? – , ele conseguiu arrancar a coisa do dedo, enfiou-a na minha boca e me socou nos dentes. Patético.
Mark era o típico cara reprimido pela sua camisa enfiada na calça, todos pareciam julgá-lo pelo que ele queria fazer, pensava, queria ser, tentava ser, sempre sem iniciativa, nunca adentrava em uma discussão ou um conflito sequer, sempre preocupado em não descontentar ninguém. De fato a família de Mark nunca abriu espaço para o Mark de verdade, na escola era assim, no seu emprego nada mudou, mas a verdade era que ele nunca foi homem o suficiente nem mesmo para ser um covarde.
Mark cortou os dedos nos meus dentes e nem mesmo conseguiu quebrá-los. Eu cuspi fora aquele pedaço de ouro nojento e então ele berrou:
– Tinha que ser a minha mulher, seu canalha!
Mark me chutou no estômago, pegou o casaco no balcão e deixou o bar levando em um braço o que ele chamava de dignidade e no outro alguns motivos para virar um homem de verdade.
Eu me levantei, tossi umas vezes,ergui um banco e sentei nele. Limpei o balcão dos cacos de vidro com a mão, me ajeitei mais perto peguei meu copo e dei um gole. Sentia um ardor frio e meu pescoço provavelmente estava encharcado de sangue, mas talvez fosse apenas suor. O cara do bar parou na minha frente e ficou me encarando por um tempo. Me senti provocado.
– O que é?
– Vou te chamar uma ambulância, amigo.
– Não precisa, vou terminar minha bebida e ir embora.
– Tudo bem. Mas você vai pagar pelo copo.
– Sim, claro.
Eu fiquei pensando no que Mark faria, – especialmente com sua esposa Lucy – aquilo seria necessário para mudar a covardia dele ou ele apenas deixaria sua própria casa e recomeçaria em outro lugar? Será que ele iria agredi-la? – Ele chegou em sua casa, não estacionou o carro dentro da garagem, abriu a porta e bateu atrás de si, sua esposa logo se manifestou perguntando se era ele quem tinha chegado, ele nada respondeu, apenas foi ao seu encontro. Ela esperava sentada na mesa da cozinha lendo uma revista e olhando o jantar quase pronto, ele se encheu de raiva e avançou na direção dela. Ele a agarrou pelos cabelos e ela gritou, ela gritava enquanto ele a esbofeteava e ele a xingava por ela o ter traído. Após a surra, ele juntou as coisas dela e jogou para fora da casa antes de arrastá-la para o mesmo destino. – Não, não desse jeito.
Eu pensei por um tempo nas possíveis cenas. – Ele chegou em casa, estacionou o carro, adentrou a casa sem fechar a porta atrás de si, entrou na cozinha para encontrá-la lendo. Ele perguntou bem baixinho “Por quê?”, ela disse “O que, querido?”, ele então revelou o que sabia. Lágrimas embaçaram os olhos do covarde e ela se manteve calada. Ele levantou e se aproximou dela, sentou-se no chão e deitou a cabeça no colo da sua mulher. Chorou por uns instantes enquanto ela tentava não parecer totalmente desconfortável, então se levantou e deixou a casa. – Não, muito patético até para a realidade. Talvez ele cometesse um crime – Ele chegou na rua da sua casa determinado, nada mais passava em sua mente, sua miséria não viveria por muito tempo. Estacionou o carro com precisão na garagem e foi correndo para dentro da casa, entrou desabotoando a camisa, tirando os sapatos trancando a porta atrás de si. Chegou na cozinha terminando de tirar a camisa e espantou sua esposa, se jogou em sua direção agarrando-a pelo pescoço e beijando-a ferozmente. Ela respondeu com fervor e logo rasgavam suas roupas ao cheiro do jantar. Ele apertava-a na cintura e afundava o rosto nos peitos dela. Ele baixou as calças e a derrubou na mesa, não houve tempo nem para que ela tirasse a calcinha. Ele penetrou forte, seguidamente, mais forte, ela arranhava suas costas. Ele sentiu ódio, e quando estava preste a ejacular estendeu a mão até a pia, quase caindo, e agarrou uma faca de cozinha. O ato culminou em um orgasmo e uma penetração no pescoço da esposa. – Confesso que essa ultima me deixou bastante animado. Ser a causa de tudo isso seria simplesmente brilhante. Demorei mais que o esperado para terminar a bebida, coloquei cinqüenta pratas debaixo do copo e fui embora.
O ato de infidelidade se parece aos meus olhos um instinto natural colocado dentro da zona proibida da falsa moral do mundo. É um fato a naturalidade da traição, basta observar sociedades monogâmicas, mas ainda vale lembrar que o foco é a ação infiel e não o machismo. O desejo carnal constantemente supera os valores morais implantados.
Eu deixei o bar sentindo uma leve tontura, mas sabia que não estava bêbado. Entrei no beco sem perceber e me escorei na parede, observando a luz do poste que ardia intensamente meus olhos. Tentei pensar por um instante, talvez se não fosse pela dor eu conseguiria temer um aneurisma. Ouvi um bater no asfalto repetitivo se aproximar, alguém com sapatos estranhos. Um par de saltos.
Ela parou a uma distância segura, sem que eu pudesse repentinamente alcançá-la, falou algumas palavras embaralhadas, ascendeu um cigarro e fez a pose realçando os extravagantes seios de prostituta que ela tinha. Pele escura, cabelos longos e as cicatrizes de uma vagabunda que apanhou para cafetões e clientes. Ela não possuía nenhum tipo de beleza, mas ainda assim me excitou.
– Então, agora que você está se recompondo, vai querer?
– Depende.
– Um bêbado exigente. Depende do que?
– Você tem as mãos frias?
– Quentes como eu.
– Não parece ruim.
– É claro que não é, seu palhaço. Vai ficar aí olhando ou vai me mostrar um pouco de dinheiro?
– Quanto?
– Só pelas mãos, são vinte pratas.
Tirei cem pratas do bolso de trás, me aproximei, enfiei no meio daqueles peitos e a puxei com força pela cintura. Ela me empurrou.
– O que você acha que está fazendo? Vinte só valem as mãos.
– Tem cem no seu decote.
Ela enfiou a mão afastando os peitos e tirou a nota. Verificou o valor, deu um sorriso amarelo e incompleto, colocou a nota de volta e respirou. Passou a mão no meu pescoço, deixando as unhas arranharem de leve. Sentiu a movimentação que acontecia nas minhas calças mas não se afastou nem para olhar.
– Então, o serviço completo custa um pouco mais. Mas parece que você está procurando por afeto.
– Sim, claro.
Eu puxei ela pela cintura novamente, ela veio com tudo. O gosto de cigarro na boca dela era mais forte que meus próprios cigarros, mas ainda assim eu só ficava mais inconsciente do que estava fazendo. Desamarrei rapidamente a blusa que ela usava e a apertei contra a parede do beco, ela me apertou um pouco mais forte. Acalmei-me um pouco, indo mais devagar, aproveitando bem o corpo da face que eu não via. Levei uma mão aos seus peitos, apertei um pouco, macios, desci o rosto, mordi um pouco, devagar, desloquei o sutiã. Aureola escura, gosto estranho. Voltei para o gosto amargo do cigarro e desci a mão pela barriga dela, que era um pouco maior do que eu havia notado. Levantei a saia que ela usava e enfiei, com a destreza de um cirurgião, a mão dentro da calcinha dela. Pêlos me deram boas-vindas e com firmeza eu soube que atingi o alvo através do suspiro que ela deu enquanto mordia meus lábios. Acariciei por fora um pouco, aproveitando enquanto ela se contorcia, gemia e tentava me arranhar sobre a camisa. Ao entrar fui direto ao mais fundo possível, cheguei com os dedos em uma parte macia com uma pequena elevação e ela gemeu alto. Fiquei ali mexendo pouco a mão e ela se contorcendo, levantando as pernas, uma por vez, me puxando para ainda mais perto, me apertando, até que ela abaixou as pernas de uma vez olhou para cima e gemeu bem alto. Ela começou a tremer, e sem coordenação enfiou uma mão dentro da minha calça e com a outra começou a desabotoá-la, logo minhas calças pendiam nos meus joelhos e ambas as mãos dela aqueciam em movimento minha ereção. Ela voltou a levantar as pernas, mas ela tremia muito e eu tive que segurá-la. Não adiantou muito, ela desequilibrou em cima dos saltos e eu fui ao chão molhado e sujo do beco com ela, e antes que eu quisesse tirar a minha bunda, de fato exposta, do chão sujo, ela me agarrou pela ereção e montou em cima de mim. Sujo e imoral. Ela tremeu bastante enquanto se debatia em cima de mim, pareceu ter orgasmos, mas não se confia em uma prostituta, eu finalmente cheguei ao momento esperado. Alguns segundos de êxtase me fizeram sair do prazer e ficar enojado.
Eu rolei em um beco sujo com uma prostituta gorda. A joguei de cima de mim e fui embora sem pensar na minha própria saúde, para não me preocupar.Caminhei por uma eternidade. Cheguei a um bairro diferente do centro da cidade, eu tinha ido parar no subúrbio. Fiquei uns minutos encarando a placa da rua até conseguir ler, era a rua da casa de Mark e sua esposa Lucy. Andei uns quarteirões e cheguei a frente da casa. A porta estava fechada e o carro estacionado dentro da garagem. Me enfiei nos arbustos do lado da casa, espinhos me machucaram até que eu encontrei uma janela. Era a janela da cozinha. Lá dentro Mark e sua esposa Lucy transavam com força em cima da mesa. Tirei um cigarro e o acendi como se fosse um saco de pipoca.

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