A mudança veio me soterrar como um caminhão descarregando a carga de toneladas de rochas.
“Na manhã seguinte um corpo pálido e gelado permanecia estirado na beira da estrada, bem no limite do campo de visão da porta do meu quarto. Eu sabia quem era, o que era, e principalmente o que acontecera. Havia premeditado tudo aquilo.”
Primordialmente o desespero tomou conta da cena, meus músculos enrijeceram, suor ameaçou escorrer pela minha testa e tomou conta das minhas mãos, um tremor patético fez com que eu derrubasse minha xícara de café. Escorei na porta sentindo o ar fugir dos meus pulmões. Retomei bruscamente o fôlego e o desespero sumiu. Entrei no quarto para me trocar.
Além do silêncio que normalmente me acompanhava um outro silêncio se manifestou dentro da minha cabeça. Quietude maravilhosa. Meus pensamentos nunca foram tão serenos quanto naquele momento. Tirei meu paletó preto de dentro da mala nunca desfeita e comecei a me despir. O telefone tocou sete vezes antes que eu o atendesse para ver que não havia ninguém do outro lado na linha.
Ajeitado dentro do paletó antigo comecei a dar o nó na gravata. Um nó clássico duplo. Peguei meu chapéu Derby posicionado em cima do criado-mudo. Fechei a mala. Atirei o cinzeiro de mármore no espelho do banheiro e a cadeira pela janela. Peguei as chaves do carro e sai depressa olhando para os meus sapatos.
Dei a partida no meu velho Dodge e arranquei. Estava indo para um lugar onde os dias não fossem tão cinzentos.
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